
Em 2019, os frequentadores de salas de exibição equivaliam a 146% da população em diversos países da América Latina. Isso significa que cada pessoa ia mais de uma vez ao cinema por ano.
No ano seguinte, marcado pela pandemia, esse índice caiu para 26%, o que é compreensível. O problema é que, entre 2022 e 2024, ele estacionou em 95%, um avanço importante, embora ainda em patamar bem inferior ao de 2019.
Esses dados foram levantados por Renê García Junior e Lauro Vieira de Faria, que publicaram um rico artigo publicado no jornal Valor Econômico, chamado “Cinema, streaming e a reconstrução do público”.
O texto sugere que, apesar do forte impacto que produziu no setor, a COVID não deve assumir sozinha a culpa pela crise que castiga as salas de exibição no país.
O streaming, por exemplo, aproveitou o momento e expandiu seus tentáculos por todas as classes sociais, transformando de vez o consumo audiovisual no Brasil. De acordo com García e Faria, ele caminha rapidamente para se tornar a “forma dominante de consumo audiovisual cotidiano”.
Em 2019, os frequentadores de salas de exibição equivaliam a 146% da população em diversos países da América Latina. Isso significa que cada pessoa ia mais de uma vez ao cinema por ano.
No ano seguinte, marcado pela pandemia, esse índice caiu para 26%, o que é compreensível. O problema é que, entre 2022 e 2024, ele estacionou em 95%, um avanço importante, embora ainda em patamar bem inferior ao de 2019.
Esses dados foram levantados por Renê García Junior e Lauro Vieira de Faria, que publicaram um rico artigo publicado no jornal Valor Econômico, chamado “Cinema, streaming e a reconstrução do público”.
O texto sugere que, apesar do forte impacto que produziu no setor, a COVID não deve assumir sozinha a culpa pela crise que castiga as salas de exibição no país.
O streaming, por exemplo, aproveitou o momento e expandiu seus tentáculos por todas as classes sociais, transformando de vez o consumo audiovisual no Brasil. De acordo com García e Faria, ele caminha rapidamente para se tornar a “forma dominante de consumo audiovisual cotidiano”.

Os dois pesquisadores encontraram ainda uma forte correlação, em todo o planeta, entre o preço dos ingressos e a frequência aos cinemas. Como resposta aos altos custos de ocupação, ao faturamento em queda e às margens apertadas, as empresas elevaram seus preços. O resultado é que a experiência melhorou, com mais conforto, tecnologia e uma aposta maior em gastronomia. Mas o programa ficou mais seletivo.
“Parte do público mais sensível ao preço pode ter migrado para o entretenimento doméstico digital”, concluíram os autores.
Esse fenômeno também impacta nosso mercado. O cenário atual da economia brasileira não autoriza uma visão otimista. Com o orçamento espremido e o endividamento batendo à porta, a tendência é que a telona se mude de vez para a sala de casa em um número significativo de domicílios brasileiros.
Com tantas opções à disposição, a audiência, da mais abastada à mais restrita, parece estar escolhendo melhor as ocasiões de ida ao cinema. Uma “Barbie” aqui e um “O Diabo Veste Prada” acolá ainda conseguem tirar o povo de casa. No dia a dia, porém, o mercado está dominado pelo streaming e pelos vídeos curtos das redes sociais.
Isso significa o fim dos cinemas? Claro que não.
O panorama sinaliza a necessidade de reajuste de rota, com adequação da oferta, diversificação de receitas e, o mais importante, na visão de García e Faria, reconstrução de público.
A dupla, que por sinal é composta por economistas, defende que o incentivo à produção de obras nacionais pode ajudar a aproximar os brasileiros das telas grandes. O principal exemplo, nesse caso, é a Índia, que possui uma forte produção local e onde os frequentadores de salas de exibição equivaliam a 321% da população no pós-pandemia.
Seja como for, uma coisa é certa: para o bem e para o mal, os cinemas nunca mais serão os mesmos.
Essa realidade deve ser encarada de frente pelos shoppings brasileiros, onde a esmagadora maioria das salas está localizada. Mas esse já é tema para outro artigo. 😉
